Quatro etapas para a utilização da ciência comportamental para controlar a exposição ao COVID-19

Por Carlos Massera

 

Não apenas as empresas do setor de alimentos devem manter suas instalações limpas e os funcionários em segurança, mas também devem minimizar exposições adicionais para fornecedores ou clientes.

 

A Segurança pode ser definida como o controle da exposição para si e para os outros. Em 2020, a indústria de alimentos enfrenta problemas de segurança, como escorregões e quedas, cortes de facas, lesões de tecidos moles, etc.

Como uma “indústria essencial”, as organizações relacionadas a alimentos enfrentam agora um desafio único no controle da exposição ao COVID-19. Eles não apenas devem manter suas instalações limpas e os funcionários em segurança, mas também devem garantir que não criem exposições adicionais para seus fornecedores ou clientes.

Esses desafios aumentam no momento em que os funcionários podem se distrair com o estresse, as incertezas financeiras, a insegurança no emprego e a preocupação com eles e suas famílias. Além disso, as instalações podem ter pouco pessoal ou alta concentração destes nas linhas produtivas, os funcionários podem executar tarefas que normalmente não realizam e haver um grande número de funcionários trabalhando em casa.

Embora exista muita coisa que não podemos controlar com o COVID-19, existem alguns comportamentos específicos que reduzirão o risco de exposição viral para nós mesmos, nossos colegas de trabalho e nossas comunidades.

Décadas de pesquisa mostram o poder da ciência comportamental em aumentar a consistência de comportamentos seguros. A disseminação do COVID-19 serve como um lembrete importante do que as organizações relacionadas a alimentos podem ganhar ao incorporar um componente comportamental a um processo abrangente de redução de exposição.

Se você possui um processo (ou um programa) de segurança comportamental/ BBS – Behavior Based Safety ou não, siga estas quatro etapas.

 

Etapa 1: Identificar os comportamentos críticos para a redução de exposição ao COVID-19

É essencial identificar claramente os comportamentos que você deseja que ocorram com uma elevada frequência. Na indústria de alimentos, uma organização deve controlar a exposição tanto em suas instalações quanto durante as interações com fornecedores e clientes. O controle da exposição dentro das instalações normalmente inclui os comportamentos recomendados pelo Ministério da Saúde, tais como:

  1. Mantenha de 1,5 a 2,0 metros de separação o tempo todo (ou o maior tempo possível).
  2. Somente toque os olhos, nariz e boca com as mãos lavadas.
  3. Minimize as interações pessoais para reduzir a exposição para transmitir ou receber patógenos.
  4. Lavagem manual frequente de 20 segundos com sabão e água morna.
  5. Se não tiver sabão, use um sanitizante para as mãos.
  6. Use alternativas para apertar as mãos. Cumprimente com um aceno ou tocando os pés.
  7. Limpe e desinfete frequentemente as áreas comuns, como salas de reuniões, banheiros, maçanetas, bancadas, trilhos e interruptores de luz.
  8. Limpe e desinfete frequentemente as ferramentas e equipamentos de trabalho, elétricos, motorizados ou não.
  9. Espirre e / ou tussa usando o cotovelo na boca ou use um lenço de papel e descarte-o imediatamente.
  10. Realize reuniões via conferência e não pessoalmente.
  11. Se você estiver doente, fique em casa.
  12. Se exposto ao COVID-19, coloque-se em quarentena por precaução e proteção de terceiros.

Os comportamentos para a redução de exposição ao fornecedor / cliente variam de acordo com o setor específico e podem incluir a identificação dos comportamentos críticos para a preparação de alimentos, a entrega na doca de carregamento, a entrega a domicílio ao cliente e a retirada do cliente. Ao criar listas de verificação para atender às suas exposições específicas, verifique se os comportamentos que você identifica são:

  • Mensurável : o comportamento pode ser contado ou quantificado.
  • Observável : O comportamento pode ser visto ou ouvido por um observador.
  • Confiável : Duas ou mais pessoas concordam que observaram a mesma coisa.
  • Ativo : Se um homem morto pode fazê-lo, não é comportamento.
  • Influenciável : Sob o controle da pessoa que executa.

Depois de redigir as suas listas de verificação, pergunte a si mesmo: “Se todos em minhas instalações fizessem todos esses comportamentos o tempo todo, estaríamos certos de que estávamos controlando a exposição um do outro, de nossos fornecedores e de nossos clientes?” Se sim, teste suas listas de verificação para facilitar o uso e haver clareza.

 

Etapa 2: Desenvolver o seu processo de observação

Para fazer isso, você deve se perguntar:

  • Quem? Quem fará as observações? Podemos aproveitar a experiência dos observadores de um processo existente e focá-los nos comportamentos para a redução de exposição ao COVID-19 ou devemos criar uma nova equipe de observadores?
  • Onde? Quais locais, tipos de trabalho e / ou tarefas específicos devem ser monitorados?
  • Quando? Quando os observadores conduzirão as observações?
  • Dados: Como você gerenciará os dados obtidos durante as observações para que possam ser usados ​​para identificar as barreiras ao desempenho seguro? Os itens da lista de verificação podem ser inseridos em um banco de dados existente ou precisaremos criar algo novo?
  • Comunicação : Que informações precisam ser comunicadas antes de iniciarmos nosso processo para a redução de exposição COVID-19 e ao longo do tempo? Como vamos comunicá-lo?

 

Etapa 3: faça suas observações e forneça feedback

 

Iniciando a Observação

Seus observadores devem explicar que estão lá para ajudar a reduzir a exposição ao COVID-19, fornecendo feedback sobre o desempenho.

 

Registrando a Observação

Os observadores devem anotar na lista de verificação quais comportamentos estão ocorrendo de maneira segura (protegida) e quais estão aumentando a exposição ao COVID-19 (exposto).

 

Dar uma resposta

O feedback é dado no espírito de reduzir a exposição. Deve ser administrado o mais rápido possível após a observação para reforçar os comportamentos protegidos e dar à pessoa a oportunidade de modificar os comportamentos que a expõem.

 

Feedback de Sucesso

O feedback de sucesso ajuda a reforçar os comportamentos que você deseja que ocorram de forma consistente. O feedback eficaz do sucesso inclui:

  • Contexto : a situação em que o comportamento ocorreu.
  • Ação : Os comportamentos específicos observados que reduzem a exposição ao COVID-19.
  • Resultado : o impacto desses comportamentos sobre eles ou sobre os outros – nesse caso, reduziu a exposição ao COVID-19 para eles, suas famílias e comunidade.

“Eu me preocupo com sua segurança e não quero vê-lo exposto ao COVID-19. Vi você usar desinfetante para as mãos antes de colocar proteção para os olhos. Ao fazer isso, você reduziu a probabilidade de transferir qualquer coisa que estivesse em suas mãos para o seu rosto, o que o impede de contrair o COVID-19. 😊 ”

 

Feedback de orientação

É fornecido o feedback de orientação para os comportamentos “expostos”, para transformar esse comportamento em um comportamento “protegido” . O feedback de orientação eficaz inclui Contexto, Ação, Resultado, mas também:

  • Ação alternativa: O comportamento que teria reduzido a sua exposição ao COVID-19.
  • Resultado alternativo: o impacto desse comportamento alternativo, como a redução da exposição ao COVID-19 para eles, suas famílias e comunidade.

“Eu me preocupo com sua segurança e não quero vê-lo exposto ao COVID-19. Vi que você tocou seu rosto enquanto usava proteção para os olhos. Ao fazer isso, você aumentou a probabilidade de transferir qualquer coisa da sua mão para o seu rosto, o que aumenta o risco de exposição ao COVID-19. O que você poderia ter feito para reduzir essa exposição?

 

Ao dar um feedback de orientação, é importante ter uma conversa significativa sobre o que os impediu de fazer a alternativa segura. Descobrir isso é essencial para a melhoria contínua. Registre esses comentários na lista de verificação.

 

Etapa 4: use seus dados para remover obstáculos a práticas seguras.

Crie uma equipe de redução de exposição para o COVID-19 para analisar dados de observação. Essa equipe identificará as barreiras sistêmicas ou organizacionais e as pessoais para o comportamento seguro e desenvolverá planos de ação efetivos para remover essas barreiras.

Isso é crítico!

Quando uma organização sabe que muitas pessoas estão praticando o mesmo comportamento “exposto”, é imperativo que elas não culpem os funcionários, mas analisem o que está acontecendo na organização que pode inadvertidamente incentivar esses comportamentos de risco.

 

Assista o bate papo online: Conversa sobre Estratégias Comportamentais para Reduzir a disseminação nas organizações. Clique aqui

 

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Por exemplo, sabemos que lavar as mãos e / ou higienizar é um importante comportamento de redução de exposição ao COVID-19. No entanto, se seus funcionários não tiverem acesso a pias ou desinfetantes para as mãos, não será possível reduzir a exposição.

Da mesma forma, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas doentes não venham ao trabalho. No entanto, se a sua organização não possui uma política adequada de licença médica, as pessoas passam a trabalhar doentes e expõem os seus colegas de trabalho, clientes e fornecedores à doença.

Sua equipe de redução de exposição COVID-19 deve desenvolver planos para remover as barreiras ao comportamento seguro usando a hierarquia de controles.

 

Conclusão

A execução consistente dos comportamentos críticos é essencial para se reduzir a exposição ao COVID-19, pois o achatamento da curva é imprescindível na luta mundial contra essa pandemia.

Independentemente do tipo de comportamento ou do resultado que o comportamento afeta, os sistemas de segurança comportamental funcionam fornecendo feedback durante as observações e, em seguida, usando as informações obtidas durante a conversa de feedback para remover as barreiras às práticas seguras.

Usando essas dicas, você pode adicionar uma ferramenta comprovada e poderosa ao seu arsenal na luta contra o COVID-19 e ajudar a manter seus funcionários, suas famílias e sua comunidade em segurança.

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