Por que a sua empresa deve implantar o Behavior Based Safety ou a Segurança Comportamental?

 In Segurança Comportamental

As abordagens tradicionais não podem alcançar a melhoria contínua do desempenho. A mais significativa exposição para acidentes ocorre durante o desempenho de comportamentos de risco específicos. As abordagens tradicionais perdem esta janela crítica da oportunidade de melhoria, permanecendo nas taxas de acidentes ou confiando em esforços de aumento da conscientização / motivação. As empresas precisam da segurança comportamental porque ela fornece aos gestores indicadores chaves para a segurança. Mas cuidado! Nem tudo no mercado é Behavior Based Safety ou Segurança Comportamental.

Descrevo a seguir, para ilustrar o comentário acima, um caso em que participei: “Em Julho de 2006, um jovem trabalhador, no setor de Acabamento, de uma siderúrgica com 3500 funcionários diretos, estava para empurrar uma caçamba cheia de aparas metálicas do processo, resultante de seu trabalho e de seus colegas. A cidade é próxima da fronteira do Estado de São Paulo com o do Rio de Janeiro. Ele estava na empresa há 2,5 meses, ainda em período ode experiência. Sendo que recebeu integração, EPI´s, treinamentos de segurança diversos para a função de auxiliar de produção.

A caçamba que ele ia empurrar tinha um espaço frontal de 1,5 metros e 4 rodas para facilitar a sua mobilidade. A caçamba estava cheia de aparas metálicas, com várias partes saindo de dentro e se projetando para todos os lados.

Era um dia muito quente e seco, apesar de ser inverno. As instalações antigas da siderúrgica somente pioravam a sensação de calor. Ele decidiu retirar as luvas de raspa para empurrar a caçamba, de forma a melhorar o seu conforto térmico.

Ele se inclinou para empurrar a caçamba, que estava com a roda travada, devido à irregularidade do solo, ele realizou um pouco mais de força. A sua mão úmida de suor escorregou, atingiu uma ponta de apara e se cortou. O corte foi extenso e sujou o local com sangue. O serviço de emergência interno foi chamado e conduziram o jovem ao hospital para ser tratado.

O Diretor, em reunião com os seus gerentes, externou a sua frustração. Desde o ano 2000, estava investindo o equivalente a U$ 1.000.000 por ano em melhorias nas condições de segurança, já que as instalações estavam defasadas tecnologicamente. Este investimento funcionou bem durante 3 anos, pois a curva dos acidentes demonstrava a redução. Mas já faziam 2 anos que se alcançara o platô, com 2 milhões de dólares investidos, houve muito treinamento e ações para a gestão de segurança e o resultado era no mínimo, insatisfatório. Os funcionários ainda se machucavam”.

Então, o que causou este acidente? A resposta vai depender do seu ponto de vista. 1) O funcionário não usou a luva de segurança que havia recebido. 2) Falha na supervisão. 3) Falha nos treinamentos. 4) Falha em seguir os procedimentos. 5) O tempo quente e a fadiga influenciaram o julgamento do funcionário.

Neste exemplo, que utilizo em meus workshops pelo Brasil levo a todos a uma reflexão importante – o funcionário recém admitido, ainda em período de experiência, deseja ser aprovado e passar a pertencer aos quadros de uma empresa grande e importante em sua cidade, além de usufruir melhores benefícios sociais.

Complemento estes dados com algumas perguntas. 1) Porque o funcionário achou aceitável trabalhar sem usar as luvas de segurança? Ele foi treinado, recebeu os EPI´s e sabia que ainda teria a sua efetivação analisada. 2) Como a maior parte do aprendizado humano é pela imitação, quem ele imitou ao retirar as luvas, num dia quente? – aos colegas da área de trabalho? 3) Para achar aceitável, por quanto tempo ele viu os colegas trabalhando sem luvas, nestes 2,5 meses? 4) Quantas vezes nestes 2,5 meses, o supervisor não “viu” ou “percebeu” os funcionários trabalhando sem luvas de segurança, perdendo a chance de atuar educativamente e realizando o seu trabalho de forma mais efetiva? 5) Com todo o investimento feito em condições e sistemas de gestão, por que a supervisão e os funcionários ainda não conseguiram resolver aspectos básicos de um cultura de segurança – o uso habitual dos EPI´s.

O fato é que este acidente teria sido evitado se o funcionário estivesse usando as luvas de segurança ao empurrar a caçamba. Em outras palavras, se o auxiliar de produção tivesse trabalhado de forma segura, ele não teria se cortado. Alinhado às modernas teorias e modelos causais de acidentes, uma grande quantidade de fatores se alinharam para que este acidente ocorresse, gerando 1) o ferimento grave e desnecessário, num jovem honesto e trabalhador. 2) a perda de produtividade de sua área. 3) Significativa perda na moral da equipe em que ele trabalhava, pois este acidente poderia ter sido evitado.

O que poderia ter influenciado este jovem a trabalhar de forma segura, usando as luvas de segurança?

Simples! Seus colegas de trabalho poderiam ter intervido e orientando-o a recolocar as luvas de segurança. Assim como o supervisor, realizando uma liderança efetiva em segurança poderia ter desenvolvido um comportamento seguro em toda a operação. Muitos de nós informalmente fazemos isso na convivência familiar, com os amigos e colegas para mantê-los seguros. No trabalho, quando este processo está formalizado e sistematicamente aplicado, ele é chamado de Behavior Based Safety (BBS – Segurança Baseada em Comportamento) ou Segurança Comportamental.

 

Escrito por:

Carlos Massera é um consultor de gestão e comportamento, palestrante em Segurança e Liderança. Autor de “7 Fatores para o Sucesso de Seu Programa Comportamental, ” O que é a Segurança Comportamental”, “Como a Liderança Garante a Melhoria para a Segurança”  e o seu livro mais novo a ser lançado na Amazon “Aumentando a Percepção dos Riscos”.  Ele é um especialista em como alcançar as pessoas – como falar com elas para ouvirem e entenderem.  Clique aqui para obter mais informações e para conversar sobre as  suas necessidades com o Carlos Massera.

 

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