4 Fatos Importantes para a Percepção de Riscos

 In Percepção de Riscos

Por que Aumentar a Percepção de Riscos?

A percepção de riscos exata por todos os funcionários, dentro de uma organização, é importante para uma gestão eficaz da segurança e saúde.

É mais provável que ocorra um acidente se os funcionários não identificam todos os perigos potenciais ou avaliam erroneamente os riscos ao realizar as operações. A eficácia da avaliação do risco depende da precisão do julgamento.

vários fatores que afetam a percepção de riscos, gerando uma diferença (“gap”) entre o risco real e o risco subjetivo. É importante que as organizações periodicamente avaliem este “gap”, de forma a desenvolver e implantar mecanismos para reduzí-los.

O “gap” na percepção de riscos  pode afetar a precisão das tarefas de análise de riscos, incluindo a sua identificação, avaliação da probabilidade e conseqüências, além da especificação e implantação das medidas de controle. Em complemento, a esta introdução, as pesquisas durante as consultorias e seminários revelam que gerentes e profissionais de segurança “sentem” que a precisão das análises de risco tem que ser melhoradas e que este é um fator causal em vários acidentes. Consequentemente é importante entender os fatores de percepção de riscos e comportamentais que afetam a precisão da análise realizada pelos funcionários de linha.

FATO 01: O FATOR MEDO (ameaça)

As pesquisas na percepção de riscos fornecem uma importante informação sobre como os novos funcionários ou funcionários inexperientes de uma equipe pensam sobre risco.

Estes estudos sugerem que a natureza, as características do risco, assim como o quanto se sabe sobre ele, o seu controle sobre as conseqüências e o impacto em futuras gerações, influenciam as suas percepções.

Estas características podem ser resumidas em dois fatores: “medo” e “desconhecimento. Acidentes em reatores nucleares é um exemplo de um perigo que aumenta a pontuação do fator medo. Há semelhança de percepção de riscos sobre alteração DNA, produtos transgênicos, eletricidade, etc. Se há uma pontuação devida nos fatores medo e desconhecimento, então as pessoas mais provavelmente irão avaliar mal (sobre avaliar) os riscos.

FATO 02: VARIAÇÕES (GAP) NA PERCEPÇÃO DE RISCOS DOS TRABALHADORES.

Os trabalhadores tendem a subestimar o risco das tarefas que eles realizam frequentemente. Esta variação (gap) é chamada de “habituação ao risco”. Ela é devida às pessoas se acostumarem à exposição dos riscos e, consequentemente, sub-avaliarem o mesmo, tornando-se complacentes.Esta complacência deve-se ao fato de realizarem a tarefa freqüentemente e nunca terem experimentado um acidente — um caso de familiaridade, exposição e de conseqüências positivas associadas a esta exposição

Várias iniciativas podem ser adotadas para reduzir o impacto do “gap” na percepção de riscos. Os programas de comunicação do risco devem contribuir para isso, destacando os riscos e associando as medidas de controle usadas para reduzir o risco. Eles devem especificar a tarefa e destacar as que possuem uma exposição mais freqüente. Se possível, deve-se usar os dados de acidentes em que a percepção de riscos  foi um fator causal, destacando as conseqüências.
O premiado Programa de Segurança Comportamental CuidarMais (www.comportamentoseguro.com.br) é uma abordagem eficaz para tratar a complacência e a baixa percepção de riscos.

 

 

FATO 03: CONSEQUÊNCIAS DA HABITUAÇÃO AO RISCO

Um operadora de linha experiente, numa cerâmica, perdeu a primeira falange do indicador direito. Os pisos cerâmicos eram transportados por correias elásticas e um dos pisos transportados saiu de posição sobre a polia. Infelizmente, a polia estava desprotegida (falha de projeto). Detalhe importante: a operadora sabia que não devia colocar a mão lá. Ao colocar a mão sugere-se que ela foi complacente com o risco.

Por outro lado, há evidências de que os trabalhadores superestimam o risco em tarefas notoriamente perigosas, operações que não são freqüentes ou riscos que produzem o sentimento de “ameaça / medo” ou que são percebidos como “ desconhecidos” – o Fator Medo. Os trabalhadores parecem sobre-estimar o risco quando eles se fixam muito nas conseqüências e não na probabilidade de ocorrência do evento danoso.

Os riscos em operações eventuais tendem a ser superestimados, pois os trabalhadores possuem um sentimento de controle menor e de expertise. Os trabalhadores também tendem a se fixar nas conseqüências de operações que possuem a fama de serem notoriamente perigosas porque as conseqüências são fortes, vivas, imagináveis, etc. Isto significa que eles se preocupam demais com as conseqüências e, portanto, superestimam o risco.

Além disso, quaisquer acidentes que ocorreram tendem a continuar a “ existir” ou a serem “comentados” muitos anos depois do evento ter ocorrido, o que chama a atenção dos trabalhadores quando estarão realizando a operação. Por exemplo, os trabalhadores de uma ferrovia sobre-estimam o risco da composição descarrilar ou a de serem “pegos” na área de engate das composições durante as manobras, devido a natureza vívida e horrível deste evento. A sua estimativa de um risco pode ser tão problemática quanto a sub-estimativa.

Se os trabalhadores estão preocupados com os riscos de uma operação, eles podem não prestar atenção suficientemente aos outros riscos ou perigos. Por exemplo, quando os funcionários estão interrompendo uma linha de ácido sulfúrico, eles tendem a focar mais nos riscos de vazamento e não prestam atenção suficiente para os riscos menores, tais como, tropeçar ou cair da altura. As estatísticas de acidentes sugerem que a sua menor ocorrência e maior probabilidade que estes menores riscos são mal controlados.

Para mitigar a variação de percepção de riscos, as organizações tendem a desenvolver mecanismos que garantam que os funcionários tenham a “consciência” do problema (conhecimento) associado à operação.

Fornecendo informação baseada na avaliação dos riscos, muitas vezes, não incluindo riscos comuns, tais como, tropeçar. Em complemento, quando comunicam sobre o risco, os exemplos de acidentes anteriores aonde o julgamento incorreto foi um fator causal, também  pode ser uma abordagem vital.

As pesquisas sobre percepção de riscos, em várias organizações, evidenciam que um conhecimento mais prático sobre a atividade, aumenta a probabilidade de o trabalhador ser capaz de identificar todos os perigos e possuir percepções precisas.Assim, é essencial que as pessoas que realizem as avaliações de risco possuam uma experiência prática relevante sobre a operação que está sendo analisada.

 

FATO 04: A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DE TAREFA

Dois homens foram mortos quando eles foram envolvidos pelo monóxido de carbono produzido por um conjunto motor bomba a combustão, que foi colocado num poço para drenagem. A sua falta de conhecimento sobre o uso correto de moto bomba tornou-os “inconscientes” sobre o perigo que os envolvia.

Pesquisas realizadas em indústrias florestais e de carvão sugerem que o supervisor tem maior probabilidade de subestimar um perigo do que o funcionário operacional, pois para eles a percepção do benefício x risco é alterada pela busca da produtividade.

O envolvimento dos membros do time no processo de análise de riscos e perigos promove um balanceamento, melhorando a percepção de riscos  do supervisor sobre o risco e suas conseqüências. Esta abordagem é apoiada pela descoberta de que trabalhadores marítimos (offshore) têm uma menor probabilidade de se envolver em acidentes se os seus supervisores se envolverem no processo de análise de riscos.

 

REDUZINDO O IMPACTO DA VARIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DE RISCOS

No passado, os pesquisadores sobre a percepção de riscos analisavam a precisão dos julgamentos das pessoas pedindo-os para responderem a sua estimativa de risco, numa escala numérica.De forma geral, estes trabalhos acharam uma pequena correlação entre o risco subjetivo e o risco objetivo; portanto os participantes não possuíam uma percepção precisa do risco.

As pesquisas mais recentes acharam que as percepções de risco podem, de fato, terem sido precisas; mas as pessoas acham difícil expressar as suas percepções de risco em termos probabilísticos, pois não é a forma natural das pessoas pensarem sobre riscos.

Isto sugere que os procedimentos de análise provavelmente serão mais efetivos se eles forem elaborados para permitir que os funcionários expressem as suas estimativas de risco em termos simples (baixo, médio e alto). A pesquisa com os trabalhadores marítimos também mostrou que as percepções de risco possuem correlação razoável com indicadores, tais como, estatísticas de acidentes e resultados da análise de risco.

Portanto, é desejável que os funcionários pontuem os riscos identificados ao invés de fazerem julgamento de probabilidade e de conseqüências para cada risco. A consciência /percepção de riscos situacional é crítica quando se analisa os riscos associados a uma operação. Se os funcionários operacionais não estão cientes das outras operações pessoais ou atividades que podem afetar o seu trabalho (ou vice-versa), as medidas de controle definidas para eles provavelmente serão inadequadas.

Assim, é vital que o time ou pessoa que analisa os riscos, tenha uma visão geral das operações e fatores que as afetam. Uma consideração de ordem prática importante é a determinação do tempo entre a análise e a realização da tarefa. Outra pesquisa sugere que se análise for feita pouco antes do início da operação, pode-se limitar a necessidade das medidas de controle durante a operação. Além disso, os que realizaram as análises devem ter a autoridade para acessar os recursos necessários, caso contrário a vantagem da análise será diminuída.

 

DIREÇÕES FUTURAS

A eficácia das campanhas para comunicação dos riscos pode ser melhorada pelo aumento da credibilidade da mensagem. As pessoas precisam confiar no comunicador para acreditar na mensagem que é transmitida. Ajuda e muito se houver representantes dos funcionários ou do sindicato na campanha, se eles forem vistos como confiáveis pela força de trabalho.

é vital o desenvolvimento de mecanismos que elevem a percepção de riscos  dos funcionários sobre a importância dos riscos com pequenas conseqüências e altas probabilidades quando fizerem análises de risco. O outro aspecto importante é o desenvolvimento de sistemas de apoio à análise de risco. Um sistema de apoio à decisão pode reduzir o impacto de variação de percepção de riscos pela remoção da necessidade dos funcionários terem que determinar probabilidades e conseqüências.

Carlos Massera é um especialista em Liderança e Comportamento Seguro, palestrante em Segurança e Liderança. Autor de “7 Fatores para o Sucesso de Seu Programa Comportamental, ” O que é a Segurança Comportamental”, “Como a Liderança Garante a Melhoria para a Segurança”  e o seu livro mais novo a ser lançado na Amazon “Aumentando a Percepção dos Riscos”.  Ele é um especialista em como alcançar as pessoas – como falar com elas para ouvirem e entenderem. A palestra de Carlos  “Quando o Risco Não é Um Risco” vai ajudar a sua organização a alcançar os seguintes objetivos: melhor engajamento e compromisso com a segurança, aumentar o trabalho em equipe, melhorar a comunicação. Clique aqui para obter mais informações e para conversar sobre as  suas necessidades com o Carlos Massera.

PS: Comente o artigo. Aguardo a sua opinião

 

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